Mapas mostram atual situação climática nas regiões brasileiras


Mapa mostra processo de aquecimento do Pacífico tropical. Fonte: Lapis.


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Neste post, vamos atualizar a situação climática das regiões brasileiras, a partir de mapas. As imagens utilizadas fazem parte resultado do portfólio de produtos de monitoramento por satélite, realizado pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis).

Com essas ferramentas, é possível se manter atualizado sobre as principais variáveis de monitoramento climático e agrometeorológico.

Confira a seguir a análise dos mapas da intensidade da seca, da umidade do solo e da precipitação. Também serão analisados os mapas de monitoramento das temperaturas do oceano Atlântico e do Pacífico. Essas informações são decisivas para entender a previsão climática das regiões brasileiras, especialmente sobre o fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS) e Dipolo do Atlântico.

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Seca e geada atingem safras de soja e milho no Brasil e na Argentina

Mapa da umidade do solo, feito no QGIS

Mapas da umidade do solo, feitos no QGIS, destacam seca no Brasil. Fonte: Lapis.

O mapa do percentual de umidade do solo é um indicador usado para estimar o teor de água contida na superfície do solo, a uma profundidade de até 10 centímetros (cm). Processado com dados do satélite Soil Moisture and Ocean Salinity (SMOS), o produto mostra as áreas que atualmente enfrentam seca ou umidade em seus solos.

Os mapas acima permitem comparar a situação da umidade do solo, nas regiões brasileiras, no período de 19 a 27 de fevereiro deste ano. Pelas imagens, é possível identificar a expansão da seca em direção ao Centro-Oeste, além do Maranhão e do Pará. Já no Centro-Sul, a situação permanece a mesma, com chuva e solos muito úmidos em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Por outro lado, o Rio Grande do Sul continua enfrentando seca. Além do extremo sul do Brasil, as regiões mais atingidas por seca são o centro e o sul do Nordeste brasileiro, grande parte de Minas Gerais e Goiás. O clima não tem favorecido as áreas agrícolas dessas regiões.

O mapa da umidade do solo destaca a persistência da seca no Rio Grande do Sul. A maior parte do Sudeste e do Centro-Oeste também enfrenta estiagem. Essa condição climática afeta as áreas mais produtoras de soja e milho no Brasil.

O Brasil aprovou o cultivo e a venda de trigo geneticamente modificado, mais tolerante à seca. O trigo transgênico nunca foi cultivado para fins comerciais, devido ao receio dos consumidores sobre alérgenos ou toxicidades na cultura, usada em todo o mundo para pães, massas e doces. Variedades biotecnológicas de milho e soja, usadas para ração animal, biocombustíveis e ingredientes como óleo de cozinha, são comuns.

A Argentina está a caminho de perder mais de US$ 20 bilhões este ano, devido às perdas agrícolas, causadas por extremos de seca e geada, que afetaram a maioria das regiões produtivas de soja e milho. As últimas estimativas indicam que o país vizinho produzirá 38% a menos de soja e 30% a menos de milho, do que o previsto.

As condições quentes e secas na Argentina reduziram as perspectivas para a produção de soja, que pode ser a mais baixa em 15 anos, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A seca está afetando o abastecimento de soja na Argentina.

Por outro lado, a boa notícia é que o La Niña, grande responsável pela seca em partes da América do Sul, já mostra sinais de enfraquecimento. O fim do La Niña é um bom sinal climático para a temporada de 2023-2024.

A missão SMOS foi lançada em 2009, tendo como um dos objetivos estimar o teor de água presente na primeira camada do solo. Isso é feito através da medição de energia emitida pela superfície, na faixa de micro-ondas. Essa emissão é influenciada pela presença de água no solo, que altera suas propriedades dielétricas.

Séries temporais de dados do satélite SMOS, visualizadas em mapas, permitem comparar a mudança na umidade do solo. Como o satélite estima a profundidade dos primeiros 10 centímetros da superfície do solo, a variação no percentual de umidade pode acontecer rapidamente, pois sempre vai seguir a mudança na precipitação.

>> Leia também: El Niño de volta em 2023. O que você precisa saber?

Chuvas continuam regulares na maioria das áreas agrícolas

Mapa do número de dias sem chuva, processado no QGIS

Mapa do número de dias secos, processado no QGIS. Fonte: Lapis.

O mapa do número de dias sem chuva é mais um dos produtos de monitoramento por satélite do Laboratório Lapis, que permite identificar as regiões brasileiras que mais receberam chuva, no período de 13 a 19 de fevereiro deste ano.

De acordo com o mapa, grande parte do Brasil recebeu chuva todos os dias, durante o período, com exceção de parte da Paraíba e Pernambuco, Semiárido de Alagoas e de Sergipe, além do norte de Minas Gerais e de áreas do Rio Grande do Sul. 

No mapa, as áreas na cor marrom indicam onde não ocorreu chuva, nos últimos sete dias consecutivos. Já as áreas em verde mostram onde houve chuva significativa ou os locais que tiveram apenas 1 a 2 dias sem chover, durante o período.

O mapa foi elaborado com dados oriundos do produto Climate Hazards Group InfraRed Precipitation with Station data (CHIRPS). O parâmetro utilizado baseia-se no número de dias secos, ou seja, quando o satélite não registrou chuvas, em 24 horas.

>> Leia também: Previsão climática indica boas chuvas para o Nordeste brasileiro

Seca ficou mais intensa na Amazônia no fim de fevereiro

Mapa da intensidade da seca, processado no QGIS

Mapa da intensidade da seca, processado no QGIS. Fonte: Lapis.

O monitoramento climático das regiões brasileiras, a partir de dados de satélites, destaca seca no norte de Minas Gerais, em grande parte da Bahia, além do Amazonas e Acre. De acordo com o mapa da intensidade da seca, referente ao período de 21 a 28 de fevereiro, as chuvas continuam fortes em áreas do Centro-Sul, com exceção do estado do Rio Grande do Sul.

Houve melhoria das chuvas no Nordeste brasileiro, mas o sul da Bahia ainda enfrenta situação de estiagem. O Sudeste e o Sul do Brasil receberam chuvas acima da média, com exceção do norte de Minas Gerais, que continua sob estiagem.

Essa imagem de satélite foi gerada no QGIS, a partir do cálculo do Índice de Precipitação Padronizado (SPI). O produto pode ser gerado com frequência semanal, mensal e anual.

O mapa é mais um dos produtos agrometeorológicos que fazem parte do portfólio de monitoramento do Laboratório Lapis. Com essa ferramenta, é possível se manter atualizado sobre os volumes de chuva, em qualquer área do território brasileiro, nas últimas semanas.

O produto de satélite é essencial para a orientação agrometeorológica, sendo decisivo para o planejamento e tomada de decisão na produção agrícola. O mapa pode ser utilizado juntamente com outros mapas semanais da cobertura vegetal, umidade do solo e precipitação, um tripé de imagens aplicadas à análise de variáveis agrometeorológicas.

>> Leia também: Como as maiores empresas agrícolas usam o Planet para monitorar lavouras?

Análise das condições das temperaturas do oceano Atlântico

 Mapa da temperatura do Atlântico Sul processado no QGIS

A imagem acima mostra águas mais quentes que o normal, na costa do Sudeste do Brasil. Já na costa do Nordeste brasileiro, embora já haja um processo de resfriamento das águas, ainda predominam condições de neutralidade. Ou seja, próximo da costa litorânea, ainda há temperaturas em torno da média.

As temperaturas do Atlântico Sul são importantes para definir a condição climática das regiões brasileiras, mesmo sob um cenário de La Niña. A imagem abaixo apresenta a variação espacial da anomalia das temperaturas da superfície do oceano Atlântico, com dados do dia 02 de março.

As áreas em tons azuis representam águas superficiais mais frias que a média histórica, dos últimos 30 anos, e as cores que variam do amarelo ao vermelho indicam águas mais quentes que o normal.

O monitoramento da temperatura da superfície dos oceanos é uma informação decisiva para compreender a previsão climática. Quanto mais aquecidas as águas da costa leste e norte do Nordeste, maior é a possibilidade de precipitação na região.

O destaque na imagem é o predomínio e a intensificação da área com as temperaturas mais frias que o normal, em grande parte da costa leste do Sul e Sudeste do Brasil, com valores de anomalia de -0,4 ˚C a -2,8 ˚C abaixo da média histórica. Essa condição é desfavorável às chuvas na região, principalmente no sul do Brasil.

Contudo, o Dipolo do Atlântico com neutralidade fria (anomalia < -0,5), permanece, havendo chance de volumes expressivos de precipitação, em grande parte dos setores do norte e oeste do Nordeste do Brasil.

Os dados usados para gerar o mapa foram obtidos pelo sistema EUMETCast, a tecnologia descentralizada da Agência Europeia para Exploração de Satélites Meteorológicos (EUMETSAT), para recepção de dados de satélites, instalada no Laboratório Lapis. Para saber mais, conheça o Livro "Sistema EUMECast".

>> Leia também: Mapeamento destaca áreas com perda de lavouras no Brasil

Previsão climática indica influência do El Niño em 2023

Mapa da previsão de El Niño feito no QGIS

O mapa acima mostra a previsão média de anomalias para a temporada meteorológica do outono. O modelo climático do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF) prevê águas mais quentes que o normal, no oceano Pacífico equatorial. A previsão da temperatura do oceano mostra que as regiões leste e central do ENOS vão aquecer no período de março a maio de 2023.

Essas condições indicam a presença de um evento completo de El Niño, começando no inverno de 2023 e provavelmente durando até o próximo outono de 2024.

O atual La Niña se estendeu pelo terceiro consecutivo. Mas de acordo com os dados históricos, não há registro desse evento se prolongando pelo quarto ano. Portanto, espera-se que essa seja a última fase do La Niña por algum tempo, aumentando a probabilidade estatística de um evento de El Niño para a temporada 2023-2024.

De acordo com a análise mais recente das temperaturas das regiões do El Niño Oscilação Sul (ENOS), as anomalias frias já se reduziram no leste. Isso indica ser realmente difícil a continuidade do La Niña neste momento. Mas à medida que as anomalias oceânicas se desfazem, a influência atmosférica persiste por mais um tempo. Ou seja, a atmosfera vai continuar respondendo como se ainda existisse um La Niña.

>> Leia também: Por que alertas de imagens de satélite não evitaram a tragédia Yanomami?

Mais informações

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COMO CITAR ESTE ARTIGO:

LETRAS AMBIENTAIS. [Título do artigo]. ISSN 2674-760X. Acessado em: [Data do acesso]. Disponível em: [Link do artigo].

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