A influência climática do La Niña nos primeiros meses de 2022



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Um dos assuntos que mais despertam interesse hoje, na área climática, é o padrão climático do El Niño Oscilação Sul (Enso), ou seja, a presença da condição de La Niña ou El Niño, no oceano Pacífico. Isso acontece porque esses padrões climáticos exercem um impacto substancial no clima, em todas as regiões do mundo.

Neste post, vamos atualizar a atual condição do La Niña, neste mês de dezembro de 2021, e as perspectivas da previsão climática para os próximos meses, nas regiões brasileiras.

De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, o La Niña deve permanecer até o outono de 2022, no Pacífico tropical. A intensidade do La Niña será de fraca a moderada.

O atual La Niña, o segundo que ocorre em dois anos, provavelmente fará a transição para a condição de neutralidade (entre -0,5 e 0,5 °C), em meados do outono do próximo ano, em algum momento entre abril e junho. Há cerca de 60% de chance de que o final do outono e o inverno do ano que vem apresentem condições neutras.

Desde outubro até o início deste mês de dezembro, a temperatura da superfície do mar, na região Niño-3.4, do Pacífico tropical, foi cerca de -0,9 oC mais fria do que a média de longo prazo (1991-2020).

Quando as temperaturas da superfície dessa área oceânica se mantêm mais baixas que o normal, por 3 meses consecutivos, em relação à média histórica, caracterizam-se as condições para um La Niña.

Com isso, o padrão La Niña se encontra bem estabelecido e os meteorologistas estão confiantes de que o fenômeno continuará nos próximos meses, com base em previsões de modelos climáticos computacionais.

No Brasil, além do efeito do La Niña, há influência de um fenômeno de longo prazo chamado de Oscilação Interdecadal do Pacífico (ODP). Essa Oscilação tem tornado o Sudeste e o Centro-Oeste mais secos, durante o verão, há pelo menos dez anos. Isso também deve acontecer em 2022.

>> Leia também: Os 3 principais índices para monitorar a seca a partir de imagens de satélites

Previsão climática para as regiões brasileiras

O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) informou a previsão climática para o primeiro trimestre de 2022.

A previsão foi feita com base em simulações do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), uma organização intergovernamental independente apoiada pela maioria dos países da Europa. 

No primeiro trimestre de 2022, espera-se um efeito mais clássico do La Niña, ou seja, deve haver estiagem no extremo Sul do Brasil, mais precisamente no Rio Grande do Sul. Por outro lado, as chuvas devem ser acima da média histórica, em boa parte das regiões Norte e Nordeste.

É o que se observa em janeiro de 2022, quando as regiões Norte e Nordeste terão chuvas na média ou acima da média históricaO mesmo é esperado para São Paulo, Mato Grosso do Sul e a maior parte da região Sul.

Observe, no mapa abaixo, que toda a área central do Brasil terá chuva abaixo da média, em janeiro, desde o Rio de Janeiro, passando por Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Previsão climática para janeiro. Fonte: ECMWF. Elaboração: Lapis.

Previsão climática para fevereiro. Fonte: ECMWF. Elaboração: Lapis.

Em fevereiro, o mapa da previsão indica chuva na média a acima da média, no Norte do Brasil. A chuva será em torno da média na maior parte do Nordeste, com exceção da porção norte da região.

Toda a área central do Brasil, que inclui o Sudeste e o Centro-Oeste, terá chuva que varia da média a acima da média, em fevereiro. Já na maior parte da região Sul, a previsão é de chuva abaixo da média.

Previsão climática para fevereiro. Fonte: ECMWF. Elaboração: Lapis.

Previsão climática para fevereiro. Fonte: ECMWF. Elaboração: Lapis.

No mês de março, o mapa de previsão indica chuva na média a acima da média, na maior parte do Brasil. O norte da Amazônia e a região central e sul do Nordeste, terão registros de chuva acima da média. Todavia, a área mais ao sul do Mato Grosso do Sul e toda a região Sul deverão receber chuvas abaixo da média.

Previsão climática para março. Fonte: ECMWF. Elaboração: Lapis.

Previsão climática para março. Fonte: ECMWF. Elaboração: Lapis.

Vale lembrar que a previsão de “chuva acima da média” não significa que será frequente, durante todo o trimestre, assim como a “chuva abaixo da média” não indica ausência de precipitação. A previsão indica uma média para o período.

Quanto às temperaturas, não é esperado calor intenso e persistente, na maior parte do Brasil, em razão do La Niña. Como o La Niña está associado a condições mais secas, no extremo Sul do Brasil, apenas o interior do Rio Grande do Sul terá temperatura acima da média, no primeiro trimestre de 2022.

>> Leia também: Seca se expandiu pela bacia do São Francisco nas últimas décadas

A correlação entre dados de precipitação por satélites e estações meteorológicas


A precipitação é a variável climática que mais afeta as atividades econômicas, a exemplo da agricultura e da produção de energia hidrelétrica. É por isso que essa variável exerce papel crucial para as regiões brasileiras.

No Brasil, assim como acontece com os demais países da América do Sul, a rede de estações meteorológicas não cobre sistematicamente todo o território. Como consequência, há uma escassez de considerável de monitoramento dos volumes de precipitação, sobretudo nas áreas mais remotas.

Por isso, é cada vez mais prático utilizar dados de sensores orbitais, obtidos a partir de satélites, para observações da distribuição espacial e temporal da precipitação.

Pesquisas científicas já comprovaram similaridade média de 95% entre os dados obtidos por estações meteorológicas, por agências governamentais, para o território brasileiro, e dados CHIRPS.

Esse nível de concordância é considerado acentuado e muito significativo, validando a importância do uso de dados de satélites para monitoramento da precipitação. Os dados CHIRPS estão disponíveis gratuitamente, a partir de séries temporais que abrangem desde 1981 até o presente.

O Laboratório Lapis processa, semanalmente, dados de precipitação, estimados pelo produto Climate Hazards Group InfraRed Precipitation with Stations (CHIRPS). Como resultado, gera-se o mapa da precipitação acima, com uso do QGIS, um Sistema de Informação Geográfica (SIG) universal e gratuito.

>> Leia também: Uso de mapas para monitorar secas “relâmpagos” nas áreas agrícolas

Mais informações

MÉTODO DO LAPIS | O Laboratório LAPIS desenvolveu um método que ensina a processar e analisar imagens, gerar mapas e geointeligência no QGIS. Para conhecer o método, assista a esta videoaula 

COMO CITAR ESTE ARTIGO:

LETRAS AMBIENTAIS. [Título do artigo]. ISSN 2674-760X. Acessado em: [Data do acesso]. Disponível em: [Link do artigo].

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