Previsão indica inverno com seca e calor na área central do Brasil



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Uma previsão do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) indica continuidade da redoma de calor no Sudeste e Centro-Oeste do Brasil por todo o inverno (junho a setembro).

Inicialmente, a previsão do Laboratório era que essa condição de seca permanecesse em maio e junho, no Sudeste e Centro-Oeste. Mas na nova atualização, observou-se risco de essa condição climática se prolongar pelo menos até setembro.

Observe no mapa abaixo da previsão de temperatura para junho. A redoma de ar seco indica pelo menos 4 oC acima da média histórica para o mês na região.

Redoma de calor deve continuar no inverno_La Niña

De acordo com o meteorologista Humberto Barbosa, fundador do Laboratório Lapis, o bloqueio atmosférico deve adentrar também a região Sul, podendo minimizar o risco de chuvas extremas e inundações.

A extensa massa de ar quente e seco, também chamada de bloqueio atmosférico ou redoma de calor, atua na área central do País desde o início de abril. Uma das consequências é dificultar a formação de chuva nessas áreas, ao impedir a passagem de frentes frias. Inclusive, esse foi um dos fatores que levaram às inundações históricas no Rio Grande do Sul, por chuvas extremas no período de 29 de abril a 05 de maio.

>> Leia também: Entenda os 3 fenômenos simultâneos que causaram chuvas extremas na região Sul

Mapa mostra persistência da estiagem na área central do Brasil em maio

Mapa do número de dias secos_30 dias_QGIS

De acordo com o monitoramento atualizado do Laboratório Lapis, baseado em dados de satélites, a persistência da extensa massa de ar quente e seco vem dificultando a formação ou avanço das nuvens de chuva, em grande parte do Brasil. As áreas mais afetadas são o Sudeste e Centro-Oeste.

Desde o dia 16 de abril, além do Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, o bloqueio atmosférico também afetou o sudoeste da Bahia e noroeste de Minas Gerais, com predomínio de estiagem por mais de 30 dias. O tempo seco é uma condição atípica para a região nesse mês de maio. Já no leste da Bahia, as chuvas voltaram nas últimas semanas.

O mapa do número de dias secos mostra a frequência das chuvas nas regiões brasileiras, no período de 16 de abril a 15 de maio. Observe na imagem acima o predomínio de seca na área central do Brasil, no último mês, caracterizando uma "seca-relâmpago".

Com início rápido e forte intensidade, esses extremos de seca e altas temperaturas costumam durar de algumas semanas ou até mesmo um mês. Os impactos das secas-relâmpago são severos sobre a vegetação e umidade do solo, especialmente para a agricultura. 

No mapa, as áreas na cor marrom indicam onde não ocorreu chuva, nos últimos 30 dias consecutivos. Já as áreas em azul, no mapa, mostram onde houve chuva significativa ou os locais que tiveram apenas 1 a 3 dias sem chover, durante o período. O parâmetro utilizado baseia-se no número de dias secos, ou seja, quando o satélite não registrou chuvas, nos últimos 30 dias.

O mapa foi elaborado com dados oriundos do produto Climate Hazards Group InfraRed Precipitation with Station data (CHIRPS). O parâmetro utilizado baseia-se no número de dias secos, ou seja, quando o satélite não registrou chuvas, em 24 horas.

Você pode observar na imagem do satélite Meteosat, canal vapor d'água, o predomínio da massa de ar quente e seco sobre grande parte do Brasil, no dia 17 de maio. 

Redoma de calor no Centro-Sul_QGIS 

A frequência das chuvas nas regiões brasileiras também pode ser analisada a partir do mapa semanal do número de dias secos. Observe que a massa de ar seco já reduz a regularidade das chuvas em áreas do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, além do Paraná e do sul do Pará.

Mapa do número de dias secos_maio_QGIS

No mapa, as áreas na cor marrom indicam onde não ocorreu chuva, nos últimos 10 dias. Já as áreas em verde mostram onde houve chuva significativa ou os locais que tiveram apenas 1 a 3 dias sem chover, durante o período.

>> Leia também: Transição para o La Niña deve trazer inverno com altas temperaturas no Brasil

Redoma de calor também deve atingir a região Sul no inverno

Mapa da intensidade da seca_QGIS_16 de maio

Enquanto o Rio Grande do Sul vive colapso por inundações, regiões como o Sudeste e Centro-Oeste, incluindo o Pantanal, enfrentam uma seca extrema neste mês de maio.

Desde o início de abril, a área central do Brasil é assolada por uma massa de ar seco, com altas temperaturas e ausência de chuvas. Com isso, as frentes frias não conseguem adentrar e trazer chuvas para o Sudeste, enquanto causaram uma situação dramática por inundações na região Sul.

Neste mês de maio, a seca ficou mais intensa no Centro-Oeste e Sudeste, além do Paraná, na região Sul. Já no Nordeste e na Amazônia, houve melhoria das chuvas em algumas áreas, como no Pará, Amazônia e Bahia.

Se por um lado, as altas temperaturas evaporam mais água e causam secas intensas na área central do Brasil, por outro lado, retêm mais água e causam chuvas extremas na região Sul.

As secas tendem a começar quando a precipitação cai abaixo dos níveis normais, em relação à média histórica. Muitos outros fatores, como temperatura, ventos, nebulosidade e tipo de solo da região, influenciam na intensidade das secas.

Mapa da intensidade da seca no Pantanal e Sudeste_QGIS

O mapa da intensidade da seca mostra o déficit hídrico nas bacias hidrográficas, com dados atualizados no dia 08 de maio. Veja no mapa acima.

As bacias são áreas formadas pela rede de drenagem, composta por um rio principal e seus afluentes. Essa unidade espacial é delimitada por formas de relevo. Quatro bacias hidrográficas principais cobrem mais de 80% da superfície do território brasileiro: Amazônica, Tocantins, Platina (Paraná, Paraguai e Uruguai) e São Francisco.

O mapa integra um conjunto de variáveis, comparando sempre com a média histórica, como umidade do solo, déficit de precipitação, índice de vegetação e volume dos corpos d’água. Os dados são comparados com a média histórica (período de 1961 a 2010).

No Sudeste do País, o clima quente e seco começou em abril e continuou na primeira quinzena de maio. As temperaturas elevadas aumentaram as taxas de evaporação e diminuíram a umidade do solo, caracterizando uma seca-relâmpago, que já dura mais 30 dias consecutivos.

>> Leia também: Minas Gerais já tem área árida e Semiárido mineiro duplicou em cinco anos

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COMO CITAR ESTE ARTIGO:

LETRAS AMBIENTAIS. [Título do artigo]. ISSN 2674-760X. Acessado em: [Data do acesso]. Disponível em: [Link do artigo].

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