O clima nas regiões brasileiras sob o novo La Niña



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Nesta quarta-feira, dia 22 de setembro, a primavera começa com a expectativa da chegada de mais um La Niña, no oceano Pacífico. O fenômeno será de intensidade fraca, devendo durar até o próximo verão. Como costuma acontecer, sob a influência do La Niña, são esperados impactos significativos para o clima, nas regiões brasileiras.

Neste post, vamos analisar a previsão climática para os próximos meses, nas regiões brasileiras, sob a influência do novo evento de La Niña.

O La Niña se caracteriza por temperaturas da superfície do oceano Pacífico equatorial abaixo da média histórica, persistindo assim por três meses consecutivos.

O gráfico abaixo destaca o histórico do La Niña, desde 2020, com um período de ausência do La Niña, de maio a julho deste ano. Ou seja, tivemos poucos meses sob neutralidade climática, sem La Niña e sem El Niño.

La Niña de 2020-2021

La Niña 2020-2021. Fonte: NOAA.

A primeira fase do fenômeno começou em meados de julho, do ano passado, terminando em maio deste ano. O novo La Niña se encontra em desenvolvimento, pois houve queda progressiva das temperaturas das águas do Pacífico equatorial, de forma persistente, desde o último mês de julho.

Em meados de setembro, a região equatorial do oceano Pacífico, manteve-se com temperaturas da superfície abaixo da média histórica.

As temperaturas veem gradualmente ficando mais baixas do que o normal, desde julho, já se aproximando do limiar de -0,5 oC, quando será efetivamente iniciado o La Niña. Dessa forma, confirma-se o retorno do fenômeno, neste último trimestre de 2021, conforme esperado pelos especialistas.

>> Leia também: Radiografia da seca no Brasil vista a partir de mapas

Previsão climática para os próximos meses

A volta do La Niña terá repercussões importantes para diversos setores da economia brasileira, como a produção de energia hidrelétrica e a agricultura.

A previsão de chuva, para o próximo trimestre, nas regiões brasileiras, já confirma o impacto geralmente esperado, sob a influência de um La Niña.

As informações de previsão climática, divulgadas neste post, foram fornecidas pelo meteorologista Humberto Barbosa, fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis).

No período de setembro a novembro, a chuva será acima da média, na área central e no Norte do Brasil, especialmente no Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará, Amazonas, Acre e Rondônia.

A maior parte da chuva vai acontecer nos meses de outubro e novembro. Todavia, há previsão de chuva abaixo da média na região Sul, bem como nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Roraima.

No Sul, a estiagem será mais sentida a partir de novembro. Observe, nos mapas abaixo, as temperaturas para os meses de outubro, novembro e dezembro. No Sul, devem permanecer em torno da média.

Deve haver redução nos volumes de chuvas, em grande parte da região Sul, com destaque para Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As frentes frias e os Complexos Convectivos de Mesoescala (CCM), principais sistemas meteorológicos que provocam chuvas naquela região, na primavera e verão, serão enfraquecidos.

Os meses de outubro a dezembro, no Sul brasileiro, serão marcados por chuvas irregulares, com possibilidade de veranicos, conforme mostram os mapas da previsão climática abaixo. Há previsão de chuvas irregulares e abaixo do normal, especialmente no norte do Paraná.

Em razão dos longos períodos sem chuva, na região Sul – os conhecidos veranicos –, Humberto afirma que os agricultores da região devem escalonar os períodos de plantio. Ou seja, será importante aproveitar os períodos mais úmidos, com menos riscos para a produção.

Em comparação com o ano passado, apesar de esperado um volume de chuva abaixo da média (sobretudo por conta dos veranicos), neste trimestre, na região Sul, espera-se um cenário será melhor do que no ano passado.

Confira os mapas de previsão abaixo, e a análise das demaias regiões, na sequência. 

Previsão climática em outubro

Previsão climática em outubro de 2021. Fonte: Lapis. Dados: ECMWF.  

Previsão climática em novembro de 2021. Fonte: Lapis. Dados: ECMWF.  

Previsão climática em novembro de 2021. Fonte: Lapis. Dados: ECMWF.

Previsão climática em dezembro de 2021. Fonte: Lapis. Dados: ECMWF.

Previsão climática em dezembro de 2021. Fonte: Lapis. Dados: ECMWF.

Já para o Centro-Oeste, as previsões são mais favoráveis. Na região que mais produz grãos no Brasil, estão previstas chuvas regulares e intensas, beneficiando a agricultura, devido à formação de sistemas de baixa pressão atmosférica.

"A previsão para outubro, novembro e dezembro indica chuvas próxima do normal, em áreas de Goiás e no nordeste do Mato Grosso, com possibilidade inclusive de eventos extremos, como chuvas intensas, ventos fortes e queda de granizo, em todos os estados do Centro-Oeste", avalia Humberto.

Para o Sudeste, diversos sistemas atmosféricos vão favorecer as chuvas, por vezes com muita intensidade, em toda a região. Há previsão de chuvas acima do normal, concentrada nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, beneficiando a agricultura e o desenvolvimento dos cultivos.

“No Centro-Sul, podem ocorrer chuvas mais intensas do que no ano passado, com possibilidade de extremos climáticos, que representam riscos para as áreas urbanas”, completa Humberto.

>> Leia também: La Niña volta em novembro. E agora, como fica o clima brasileiro?

Atlântico está favorável para chuvas no Nordeste

temperaturas do Atlântico em dezembro de 2021

Temperaturas do Atlântico Sul, previstas para dezembro de 2021.

Humberto ainda ressaltou que outros fatores, como temperaturas da superfície do oceano Atlântico, também influenciam no clima brasileiro, podendo intensificar ou minimizar os efeitos do La Niña.

Volumes significativos de chuva são esperados para o oeste e sul do Nordeste, especialmente na área de Matopiba, dedicada à produção de grãos. Nas demais áreas da região, esperam-se chuvas em torno da média histórica, nos próximos meses.

A estação chuvosa deverá começar mais cedo, com chuvas acima da média, devido à influência do La Niña e da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

Humberto espera que seja um cenário bem melhor do que o verão de 2019-2020, para o Nordeste, em razão das temperaturas do Atlântico Sul estarem acima da média, indicando um cenário favorável para precipitações.

Em setembro de 2020, o La Niña era realmente mais forte, cobrindo uma área mais ampla sobre o oceano Pacífico tropical. Havia uma região de resfriamento mais forte, devido aos ventos alísios mais intensos.

Os padrões de chuva, em uma temporada de primavera com La Niña, são mais parecidos com um “dipolo” (quando há uma região mais seca e outra mais úmida, formando dois polos opostos). 

De forma geral, podemos passar por uma situação bem mais seca do que o normal, na maior parte do Sul do Brasil, e condições mais úmidas, no Norte e Nordeste.

Para a previsão da primavera de 2021, o Lapis utilizou o modelo climático europeu ECMWF.

>> Leia também: Os 5 principais pontos do novo relatório sobre mudança climática

Chuvas nos próximos dias devem reduzir queimadas em Minas Gerais

De acordo com a nova atualização do Laboratório Lapis, esta semana será de muito calor, na maior parte das regiões brasileiras, principalmente no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.

Nos próximos dez dias, o mapa acima destaca chuvas em algumas regiões do Brasil. Nesse período, chuvas significativas devem ocorrer no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, região Norte, parte do Centro-Oeste e Sudeste.

Essas chuvas vão favorecer Minas Gerais, onde bombeiros combatem fortes incêndios florestais, diante do recorde de focos de queimadas registrados.

*Post atualizado em: 20.09.2021, às 10h10.

COMO CITAR ESTE ARTIGO:

LETRAS AMBIENTAIS. [Título do artigo]. ISSN 2674-760X. Acessado em: [Data do acesso]. Disponível em: [Link do artigo].

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