Geada agrava risco climático de lavouras já afetadas por seca



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Nos últimos dias, uma massa de ar frio, na retaguarda de uma frente fria, avançou pelo Sul do Brasil, provocando a formação de geada, em várias localidades da região. O fenômeno atingiu áreas da região, desde a madrugada da última terça-feira, dia 29 de junho.

O que chamou atenção, além de muito frio, foram as condições ideais para a formação de geada. Teve inclusive formação de gelo, nas rodovias das Serras Gaúcha e Catarinense.

A área em azul, no mapa acima, indica uma condição de tempo favorável, para formação de geadas, nas baixadas e vales acima dos 400 metros, mais ampla e forte acima dos 800 metros.

Inclusive, nesta quinta-feira, dia 1º de julho, o meteorologista e geoprocessador Humberto Barbosa, fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), fez uma transmissão AO VIVO sobre esse assunto, pelas redes sociais do Laboratório @Lapismet.

Foi uma aula gratuita e inédita, sobre “Monitoramento da Influência da geada e friagem na produtividade agrícola". Para assistir à gravação, clique no link acima. 

O fato é que a geada e a friagem, dos últimos 3 dias, já provocaram danos irreversíveis às lavouras de café, milho e cana-de-açúcar, no Centro-Sul brasileiro.

É por isso que Humberto Barbosa mostrou, de forma realmente profunda, todos os aspectos relacionados ao monitoramento e prevenção, do risco climático da geada e friagem, com uso de dados de satélites.

Produtores do Centro-Sul brasileiro já amargam prejuízos

É comum que depois de uma geada forte, produtores ainda esperem 10 dias, para saber a real dimensão das perdas nas lavouras. Mas, desta vez, já se observam áreas agrícolas onde o estrago foi irreversível.

O frio intenso e a geada, dos últimos três dias, causaram prejuízos a produtores rurais, de algumas áreas do Centro-Sul do País. A geada da madrugada de ontem, dia 30 de junho, atingiu áreas produtoras de cana-de-açúcar, desde o Rio Grande do Sul até o norte de São Paulo.

Segundo o meteorologista, as perdas causadas ao milho, pela geada, deverão ficar mais evidentes nos próximos dias, até porque há previsão de a geada voltar na sexta-feira, dia 02 de julho, ao Paraná, onde os termômetros podem marcar 2 graus Celsius.

O milho já tinha sofrido muito dano ontem, dia 30 de julho, e nesta quinta-feira, 1º de julho, o frio se expandiu para todo o norte do Paraná e centro-sul de Mato Grosso do Sul.

De acordo com Humberto Barbosa, do Laboratório Lapis, geadas moderadas e fracas estão previstas, para esta sexta-feira, dia 02 de julho, em algumas regiões agrícolas, prejudicando a cultura do milho e da cana-de-açúcar – ambas já sofrem perdas significativas pela seca.

O período do inverno não é o mais indicado para o cultivo da cana-de-açúcar, no Mato Grosso do Sul. O motivo é de ser um período ser de alto risco climático (nos meses de junho, julho e agosto, há menos umidade no solo e no ambiente, além das baixas temperaturas). E agora, a geada apareceu para aumentar ainda mais esse risco, afetando a produção.

A geada que havia feito estrago em áreas de milho, no Paraná e Mato Grosso do Sul – já atingidas pela seca – foram mais amplas nesta quarta-feira, e o frio intenso deve continuar na quinta-feira.

O cenário reafirma a necessidade de monitoramento, com uso de dados de satélites, para apoiar a tomada de decisão na agricultura. Por isso, aproveite e inscreva-se para a Maratona Lapismet de “Geoprocessamento, Mapas e Agrometeorologia”, clicando neste link. Faltam apenas 20 dias para o evento 100% gratuito e online.

Entenda o impacto da geada nas lavouras

O centro da massa de ar seco e frio, de origem polar, avançando em direção ao Paraná e São Paulo, tem contribuído para a intensificação do frio, com temperaturas negativas e consequentemente o aumento do risco, para formação de geada forte e abrangência, em vários municípios do Centro-Sul do País.

Em Agronomia, entende-se geada como o fenômeno que provoca a morte das plantas ou de partes da sua estrutura (folhas, caule, frutos e ramos), em função da baixa temperatura do ar, que acarreta congelamento dos tecidos vegetais, havendo, ou não, formação de gelo sobre a planta. Com isso, lavouras precisam ser colhidas antecipadamente, perdendo produtividade.

E dependendo do aspecto visual (aparência) da geada, há alguns termos normalmente empregados em agrometeorologia:

1) Geada negra: em condições de pouca umidade. Com isso, a planta “queima” ou “seca”, porque o que se congela são os seus fluidos, principalmente o café;

2) Geada branca: em condições de maior umidade do ar, quando efetivamente existe o congelamento de água.

No aspecto do risco climático para as lavouras, as geadas variam com a espécie, e com o estádio fenológico das plantas, quando ocorre.

Temperatura do ar -2 oC pode ser a temperatura crítica mínima, abaixo da qual se iniciam os danos nas plantas de espécies menos resistentes, como banana, mamoeiro e arroz. Para as espécies mais resistentes, como o cafeeiro, cana-de-açúcar e citrus, o limite é de -4 oC.

A geada é um dos fenômenos atmosféricos típicos do inverno. Quando a saturação do ar úmido se dá com uma temperatura inferior a 0 oC, pode ocorrer sublimação com formação de gelo. Se esse processo ocorrer junto da superfície, forma-se geada. Pode ser classificada, dependendo do processo de formação:

1) Geada de advecção: injeção de ar com temperaturas muito baixas;

2) Geada de radiação: resfriamento intenso da superfície, que perde energia durante as noites de céu limpo e sob o domínio de sistemas de alta pressão;

3) Geada mista: ambos as situações acima.

De acordo com o meteorologista Humberto Barbosa, do Lapis, a geada deve permanecer até esta sexta-feira, dia 02 de julho.

*Post atualizado em: 02.07.2021, às 08h11. 

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