La Niña pode durar até 2023, indica previsão



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O La Niña pode permanecer por todo o ano de 2022 e durar até o início de 2023. Em atualização no último dia 14 de abril, a Administração Americana de Oceano e Atmosfera (NOAA) indicou que o oceano Pacífico equatorial continua mais frio que o normal e que a atmosfera ainda responde como La Niña.

Modelos climáticos indicam previsão de chuva abaixo da média, a partir de maio, no Centro-Sul do Brasil. Apenas a região Norte, a costa do Nordeste e o Espírito Santo devem receber mais chuva que o normal, um padrão comum em um cenário típico de La Niña.

Em junho, apenas a região Norte e a costa do Nordeste terão mais chuva que o normal. Enquanto isso, os volumes de precipitação vão diminuir no Espírito Santo e o Centro-Sul vai continuar com chuva abaixo da média.

Em julho, boa parte do Norte e Nordeste terão chuva em torno da média histórica, enquanto o Centro-Sul permanece mais seco.

Inverno pode ter geada no Centro-Sul e veranicos no Nordeste

Apesar da tendência de queda acentuada de temperatura, em algumas ocasiões, o mês de maio será mais quente que o normal, no Centro-Oeste, e mais frio que o normal em Minas Gerais, Espírito Santo, em grande parte do Norte e do Nordeste.

Em junho, haverá ondas de frio mais intensas, com queda acentuada da temperatura e formação de geada, no Sul brasileiro. As primeiras previsões para o período de julho a agosto, indicam temporada fria se desenvolvendo no Centro-Sul do Brasil, com possibilidade de formação de geadas. Essa condição costuma causar prejuízos à produção agrícola.

A temperatura do oceano Pacífico mostra a continuidade do La Niña, em todo o oceano Pacífico equatorial, para o inverno (junho a agosto) e provavelmente até o fim do ano, no Hemisfério Sul. As águas mais frias estão concentradas na região do Pacífico tropical central.

Apesar da presença do La Niña no inverno, o Dipolo do Atlântico vai trazer fortes veranicos para o Nordeste, no período de junho a agosto. O Dipolo ocorre em razão das temperaturas mais quentes no Atlântico Sul e mais frias no Atlântico Norte.

A fase fria do El Niño Oscilação Sul (ENOS) é chamada de La Niña, enquanto a fase quente é chamada de El Niño. Além das temperaturas, uma das principais diferenças entre as fases também está na variação da pressão.

O La Niña ou o El Niño geralmente se desenvolvem no final do inverno e início da primavera, no Hemisfério Sul, podendo durar até o próximo inverno, ou perdurar até dois anos, em alguns casos.

Fenômeno de longo prazo influencia duração do La Niña

O gráfico abaixo mostra como as temperaturas do oceano Pacífico caíram, na primavera de 2020, quando surgiu o primeiro La Niña. Embora o fenômeno tenha desaparecido no inverno passado, retornou na primavera passada.

Há um padrão climático de longo prazo, influenciando na permanência do La Niña, no Pacífico. É a fase fria da chamada Oscilação Decadal do Pacífico (ODP). O La Niña que começou no final de 2020 faz parte desse fenômeno, que predomina há quase duas décadas.

Esse cenário em que o Pacífico se apresenta com períodos de águas mais frias do que períodos com águas quentes, em razão da ODP, explica o adiamento do fim do La Niña.

Durante a maior parte das décadas de 1980 e 1990, o Pacífico esteve ligado a uma fase quente da ODP, que coincidiu com vários eventos fortes de El Niño.

Porém, desde 1999, uma fase fria do ODP tem predominado, de modo que a seca de longo prazo no Centro-Sul coincide com essa tendência. A fase fria da ODP ainda não tem prazo para acabar.

Seca continua afetando áreas agrícolas do Centro-Oeste e Sudeste

O mapa da umidade do solo, atualizado em 18 de abril, mostra a atual situação das secas, na região do Brasil central, principalmente no Sudeste e Centro-Oeste.

Na última semana, um padrão climático mais seco continuou no Brasil central, enquanto o Sul do Brasil apresentou tendência mais úmida.

O clima cada vez mais seco afeta os principais estados produtores do milho safrinha, especialmente Goiás e Mato Grosso, preocupando os produtores diante da proximidade da estação seca. Os dados são do Laboratório Lapis.

Enquanto isso, as chuvas foram abundantes no Sul do Brasil. Foi a terceira segunda semana completa de abril mais úmida, em mais de 30 anos, no Paraná. A precipitação na região tem sido favorável até agora para a safra de safrinha, uma grande mudança em relação às condições secas para a safra de soja, cultivada no início deste ano.

Nesta terceira semana completa de abril, haverá uma mudança para tendências mais secas no Sul do Brasil. A previsão é que será a quarta semana mais seca de abril, em cerca de 30 anos, em São Paulo e a terceira no Paraná.

As tendências mais secas se estenderão por áreas do Brasil central, incluindo Minas Gerais, onde se prevê que esta seja a terceira semana mais seca de abril, durante o mesmo período. No entanto, haverá chance de aumento das chuvas na metade norte de Mato Grosso.

As próximas semanas serão críticas para a safra do safrinha, pois o tempo avança rapidamente, para o início da estação seca. Infelizmente, sob condições de La Niña, a estação seca pode chegar algumas semanas antes, encurtando a janela para a chegada da umidade.

Os solos precisam estar bem carregados para a estação seca, para sustentar a safra de safrinha até a colheita. Este ano, o principal risco está no Brasil central, onde a umidade do solo pode não ser suficiente para suportar a safra, durante a estação seca.

Mais informações

Este mapa da umidade do solo, baseado em dados de satélites, é um dos produtos agrometeorológicos processados pelo Lapis, no software QGIS. Inclusive, o Laboratório está com inscrições abertas para o treinamento online "Mapa da Mina".

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COMO CITAR ESTE ARTIGO:

LETRAS AMBIENTAIS. [Título do artigo]. ISSN 2674-760X. Acessado em: [Data do acesso]. Disponível em: [Link do artigo].

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