Urgente! La Niña pode durar até o fim de 2021



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A Agência de Meteorologia e Oceanografia dos Estados Unidos (NOAA) alertou, em boletim atualizado, na última quinta-feira, dia 11 de fevereiro, que o La Niña poderá se prolongar, no oceano Pacífico, até o fim de 2021.

Embora essa previsão ainda não seja consenso, entre os especialistas da NOAA, pegou de surpresa os especialistas. Eles têm acompanhado de perto as temperaturas dos oceanos, por serem decisivas para definir as condições do clima global.

O La Niña consiste na manutenção das águas superficiais do Pacífico equatorial, mais frias que o normal, por mais de três meses consecutivos. Desde agosto de 2020, o La Niña se instalou, naquela região oceânica, chegando a alcançar intensidade forte, nos últimos dois meses.

Até janeiro, a expectativa era de que o fenômeno acabasse no próximo mês de março, podendo ainda influenciar o clima brasileiro, até meados deste ano. A partir de junho, esperava-se que o Pacífico equatorial ficasse com temperaturas em situação de neutralidade, ou seja, sem La Niña ou El Niño.

Porém, as novas previsões indicam que talvez o La Niña dê uma nova guinada e dure por mais tempo. Em algumas simulações de modelos climáticos, foram identificadas áreas do Pacífico com intensificação do resfriamento, a partir de março. Sendo assim, é provável que o fenômeno deva permanecer ativo, no Pacífico, durante o segundo semestre.

Mesmo que esse cenário não se confirme e o La Niña enfraqueça, ou mesmo se torne neutro, há perspectivas de que a temperatura do Pacífico volte a resfriar, no segundo semestre de 2021. 

Mas vale lembrar que a atmosfera demora a reagir, a eventuais mudanças na temperatura das águas, do Pacífico equatorial. Com isso, há bastante chance de a influência de um La Niña moderado persistir, sobre o clima global, até pelo menos dezembro de 2021.

Previsão climática é impactante para a agricultura brasileira

De acordo com o meteorologista Humberto Barbosa, fundador e responsável pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), a situação climática para o Brasil, caso essa nova previsão se confirme, é preocupante.

Ele explica que o cenário assume características desfavoráveis, para o desempenho da agricultura brasileira. No Centro-Sul, o La Niña prolongado poderá deixar o inverno mais seco que o normal (período de junho a setembro), e ainda atrasar o retorno das chuvas na primavera (trimestre de setembro a dezembro).

A situação é particularmente impactante, porque mesmo com a chance de crescimento da safra brasileira, existe forte perspectiva de déficit na produção de alimentos, no cenário mundial.

Lembramos que ontem divulgamos aqui que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgou previsão de recorde na produção brasileira de soja, na safra 2020-2021, com estimativa de 133 milhões de toneladas do grão. Apesar do atraso nas chuvas, no Centro-Sul, a produção deve superar em 6% o recorde da safra passada.

Mas esse cenário de bom desempenho na produção de grãos pode ser revertido. Humberto Barbosa afirma que a chance de termos os efeitos do La Niña, durante todo o ano de 2021, poderá aumentar o risco de perdas, nas próximas safras de soja e milho no Brasil, em função da maior probabilidade de seca no Centro-Sul.

Com isso, produtores de todo o País seguem acompanhando o desenvolvimento do fenômeno La Niña, nos próximos meses, e sua possível influência na agricultura brasileira.

La Niña pode favorecer Nordeste somente a partir de março

Para a região do Semiárido brasileiro, onde se pratica uma importante agricultura familiar, a previsão segue semelhante a que já havíamos divulgado neste post. As chuvas para a região, trazidas principalmente pelo deslocamento mais para baixo, da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), vai depender da temperatura superficial do Atlântico Sul.

>> Leia também: Entenda os 5 fenômenos que trazem chuvas para o Nordeste, durante o verão

Neste mês de fevereiro, o litoral do Nordeste está com águas mais frias que o normal, o que não é favorável para as chuvas, na porção norte da região, devendo ser abaixo da média. Todavia, a partir de março, a tendência é de que essa área oceânica fique com temperaturas mais neutras, o que poderá melhorar nas chuvas para o Semiárido brasileiro.  

Se o Atlântico Sul, próximo ao Nordeste brasileiro, se mantiver em situação de neutralidade, não haverá fator que interfira na tradicional influência do La Niña, em trazer mais chuvas para a região.

Humberto Barbosa ainda destaca que, além da tendência de neutralidade no Atlântico Sul, o Atlântico Norte deverá ficar mais quente, a partir de março. Dessa forma, é possível que se intensifique o chamado “Dipolo”, fenômeno que favorece as precipitações no Nordeste.

Mesmo assim, essas chuvas deverão chegar com atraso, pois a estação chuvosa no Nordeste já deveria ter começado agora em fevereiro. Explicamos esse assunto com mais detalhes, neste post.

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