O que esperar da previsão de chuva para junho nas áreas agrícolas?



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As chuvas previstas para a primeira quinzena de junho, no Centro-Sul brasileiro, provavelmente serão acima da média histórica. Essa é uma boa notícia para os produtores rurais, ansiosos por algum alívio para suas safras.

Consultamos o meteorologista e geoprocessador Humberto Barbosa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), para saber a tendência da previsão climática, para este mês de junho.

Segundo ele, o aumento das pancadas de chuva vai começar a romper a tendência de tempo quente e seco, nas áreas de café e cana-de-açúcar do Brasil, provavelmente com moderados volumes acumulados. Frentes frias passando pelo Sul brasileiro, no intervalo de sete a dez dias, vão provocar chuvas e massas de ar polar, diminuindo as temperaturas.

A maioria das lavouras de inverno, como trigo, cevada, cana-de-açúcar e café, além da segunda safra de milho, pode se beneficiar com essa chuva, que ameniza o risco de geadas. A chuva ajuda a reduzir o uso de irrigação, embora a colheita ainda preocupe.

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Junho marca o início de condições mais secas do ano e as previsões mostram chuvas acima da média, em boa parte do Sul, oeste de São Paulo e em grande parte de Mato Grosso do Sul. As frentes frias ajudam a trazer chuva para o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

Há outro fator importante: o bloqueio atmosférico. Juntos, as massas de ar seco e o bloqueio atmosférico, que impede a chegada de frentes frias, podem ajudar a causar os veranicos, em especial no Rio Grande do Sul.

De uma maneira geral, segundo Humberto Barbosa, uma massa de ar quente e seco tem sido persistente, sobre as áreas produtoras de grãos. Isso tem afastado as frentes frias, vindas do Sul, que poderiam gerar chuvas mais intensas, nas áreas de cultivos.

Entre março e maio deste ano, o clima permaneceu seco, no cinturão cafeeiro e canavieiro do País. Porém, o clima mais seco, associado à baixa umidade do solo, neste período, resultou em queda no crescimento das plantas, o que pressiona a safra de 2021-2022.

>> Leia também: Os 15 fatos que você precisa saber sobre uso de NDVI na agricultura

Um fator climático que tem colocado em alerta as regiões agrícolas brasileiras

No vídeo acima, analisamos a atual radiografia da seca, nas regiões agrícolas brasileiras, a partir de imagens de satélites e geoprocessamento.

Em meados de maio, a região mais afetada por estiagem foi da área central ao Sul do Brasil, com maior gravidade no Mato Grosso do Sul e Paraná.

Já na última semana de maio, o cenário se inverteu, com registro de seca extrema no Norte e no Nordeste. O Amazonas, Pará, Maranhão e Piauí foram as áreas mais afetadas por escassez de chuvas.

Analisando o mapa mensal de precipitação, é possível caracterizar uma situação de seca moderada, em quase todo o País.

Mas o que chama atenção é o Mato Grosso do Sul, onde foi registrada seca excepcional, durante o mês de maio. Nesse cenário climático, cerca de 25% das lavouras de milho foram avaliadas como ruins, naquele estado.

Ou seja, grande parte dessas lavouras sofreram danos, seja por pragas, folhas amareladas ou perda da folha. Apenas 6% das lavouras foram consideradas boas, enquanto 71% são regulares. O levantamento foi divulgado em boletim semanal da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul).

Qualidade ruim das lavouras significa que foram infestadas por pragas, sofreram amarelamento ou mesmo perda das folhas, além de outros danos que causam perda na produção.

Recentemente, o governo brasileiro emitiu um alerta de emergência hídrica para os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

O alerta chama atenção para a situação de estiagem prolongada, nas áreas banhadas pelo rio Paraná, que limitará a quantidade de água disponível, para as diversas finalidades.

>> Leia também: Os 3 mapas que todo profissional da agricultura deve utilizar

Qual o mapa agrícola que mais interessa ao produtor rural?

Existe um mapa agrícola que, de cara, explica ao produtor rural se ele deve esperar um recorde na safra ou o alerta para um possível resultado decepcionante. Você sabe qual é?

É o mapa da umidade do solo, elaborado com dados do satélite SMOS. Esse mapa permite o monitoramento da quantidade de água contida no solo, em determinada semana, estimada a partir de sensores de satélites.

Como assim, mas o satélite consegue estimar o quanto os solos estão úmidos? Sim, a uma profundidade de até 5 centímetros, o satélite SMOS é dos que geram dados da atual condição da umidade do solo.

Desse modo, o profissional de geoprocessamento, que presta consultoria agrícola, consegue transformar esse dado em uma valiosa ferramenta para o produtor rural.

Sem falar na geração de inteligência de dados, que permite a comparação de diferentes cenários históricos. Veja abaixo os mapas que mostram a situação da umidade do solo, em áreas produtoras de soja, no fim de janeiro e de maio deste ano.

As imagens acima mostram o chocante contraste da seca no Centro-Oeste. A partir da imagem atual (mapa à esquerda), é possível comparar com a situação do nício do ano (mapa à direita), quando a umidade do solo estava ótima, na mesma região.

>> Leia também: As 7 fontes gratuitas de dados de satélites para você entender o clima

Brasil instituiu hoje o Zoneamento agrícola de risco climático. Você sabe do que se trata?

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), para o ano-safra 2021/2022, foi instituído no dia 27 de maio, pelo Ministério da Agricultura. O Zarc é específico para o cultivo de milho de primeira safra, consorciado com outras culturas anuais ou pastagens. 

Um total de 15 estados brasileiros e o Distrito Federal são beneficiados. O Zarc inclui todo o Centro-Oeste e Sudeste, além do Paraná, estados do Matopiba e mais alguns estados do Norte.

Os produtores rurais que seguirem as orientações do Zarc, estarão menos sujeitos aos riscos climáticos, como a estiagem.

Inclusive, temos mostrado aqui, com uso de mapas e dados de satélites, o risco climático que grandes regiões do Brasil, produtoras de grãos, têm enfrentado, em razão da seca, que afeta quase todo o País, desde janeiro de 2021.

Isso só reforça a necessidade de profissionais de geoprocessamento capacitados, para atuar na redução dos riscos climáticos do agronegócio, bem como na promoção da sustentabilidade.

O mapa acima mostra a situação atualizada, na última semana de maio, com as áreas em vermelho destacando ausência de chuva, um cenário dramático, em quase todo o Brasil, com exceção do Norte do País.

Essa análise faz parte do monitoramento por satélites do Laboratório Lapis, com uso de dados CHIRPS (de precipitação). Esses mapas foram elaborados no software QGIS, um dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) mais poderosos do mundo.

O que achou do post? Você já utiliza imagens de satélites em sua consultoria agrícola? Que tipo de dados você gostaria de explorar?

COMO CITAR ESTE ARTIGO:

LETRAS AMBIENTAIS. [Título do artigo]. ISSN 2674-760X. Acessado em: [Data do acesso]. Disponível em: [Link do artigo].

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