Desmatamento dispara na Amazônia e é alerta para aumento das emissões


Experimento do IPAM em áreas de floresta em Querência (MT). Foto: Paulo Brando.


Ouça este conteúdo
Parar este conteúdo

Foi divulgado nesta quinta-feira, dia 18 de novembro, a estimativa da taxa anual de desmatamento na Amazônia Legal brasileira, referente ao período de agosto de 2020 a julho de 2021.

De acordo com o Projeto de Monitoramento por Satélite do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), responsável pela atualização dos números, foram mais de 13 mil km² de área de floresta destruída, durante o período de 12 meses.

O Prodes é um projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que realiza o monitoramento por satélite, por corte raso, na Amazônia Legal, e produz, desde 1988, as taxas anuais de derrubada da floresta na região. Esses dados são usados pelo governo brasileiro, para definição de políticas públicas, na área de proteção ambiental.

Os dados divulgados ontem pelo Inpe representam um aumento de cerca de 22% na taxa de desmatamento, em relação ao ano anterior (10.851 km2, no período de agosto de 2019 a julho de 2020). É a maior taxa de desflorestamento já registrada, desde 2006, e o tamanho da área de floresta derrubada representa 70% da cidade de São Paulo.

O anúncio já chegou causando controvérsia, pois só foi feito uma semana após o encerramento da 26ª Conferência da ONU para Mudanças Climáticas (COP26). Apesar disso, o documento com os dados tem data de 27 de outubro de 2021, ou seja, é anterior ao evento.

Durante a COP26, mais de 100 países, incluindo o Brasil, assumiram o compromisso de acabar com o desmatamento das florestas e ecossistemas até 2030, para conter o processo de mudanças climáticas.

Desmatamento na Amazônia, a partir de imagens de satélites

Desmatamento na Amazônia, a partir de imagens de satélites. Fonte: Terra Brasilis-Prodes.

Vale lembrar que o desmatamento é responsável por gerar 44% do total de gases de efeito estufa, emitidos no Brasil, sendo a maior fonte de poluentes liberados no País.

De 2017 a 2018, as emissões ligadas à derrubada de florestas aumentaram 3,6%. Esses dados são do Sistema de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima.

Os números alarmantes do desmatamento colocam o Brasil como o sexto maior emissor do Planeta. Sendo assim, o Relatório divulgado ontem pelo Inpe é extremamente estratégico, quando o cerco global para o desmatamento começa a se fechar.

No último dia 17 de novembro, a Comissão da União Europeia publicou o projeto da nova legislação do Bloco, que proíbe a compra de produtos oriundos de terras desmatadas.

Em média, no período de 2019 a 2021, a taxa anual de desmatamento, na Amazônia Legal, foi estimada em 11.405 km², representando um aumento de 52,9% na área de floresta derrubada, em comparação com a média dos três anos anteriores (cerca de 7.458 km², no período de 2016 a 2018).

Nos últimos três anos, predominou no Brasil uma política que culminou no enfraquecimento da gestão institucional e da fiscalização contra o desmatamento ilegal. Também houve tentativa de afrouxar a legislação para proteção ambiental brasileira.

O aumento drástico do patamar do desmatamento da Amazônia, divulgado ontem, é reflexo dessas ações e omissões, por parte do governo brasileiro. A taxa de desmatamento destoa de todos os esforços globais, protagonizados pela maioria dos países, pela redução das emissões de gases de efeito estufa.

Desmatamento e queimadas tornam a Amazônia fonte emissora de carbono

Experimento do IPAM em áreas de floresta em Querência (MT). Foto: Paulo Brando.

A Amazônia é a maior floresta tropical do Planeta. Recentemente, a pesquisadora Luciana Gatti, do Inpe, mostrou em estudo publicado na revista Nature, que hoje algumas áreas da floresta amazônica já emitem mais dióxido de carbono (CO2) do que absorve.

O CO2 é um dos mais nocivos gases de efeito estufa, que causa o aquecimento do Planeta e acelera o processo de mudança climática, em razão de permanecer por centenas de anos na atmosfera.

O resultado da pesquisa mostra um ponto de inflexão na floresta e abalou a comunidade científica. Esperava-se que a Amazônia fosse um poderoso sumidouro de carbono.

Mas a pesquisa constatou que os históricos problemas do desmatamento e das queimadas já transformaram algumas áreas da floresta, em uma preocupante fonte de emissão de carbono.

De acordo com o estudo, a Amazônia ainda remove carbono da atmosfera. Porém, em quantidade muito menor do que se acreditava. As emissões do desmatamento e das queimadas são três vezes maiores do que a absorção que a floresta faz.

A média, em nove anos, foi de 130 milhões de toneladas de carbono absorvidos pela floresta. Mas o desmatamento e as queimadas emitiram 410 milhões de toneladas. Do balanço, a Amazônia emite na atmosfera 290 milhões de toneladas de carbono por ano. 

A redução do desmatamento na Amazônia foi considerada crucial pelo “Pacto Climático de Glasgow”, para conter o aumento das temperaturas do Planeta, ou seja, o aquecimento global.

Mas o compromisso do governo brasileiro de acabar com a destruição da floresta, até 2030, exige reduções anuais agressivas, na taxa de desmatamento, o que passa longe de estar ocorrendo. 

COMO CITAR ESTE ARTIGO:

LETRAS AMBIENTAIS. [Título do artigo]. ISSN 2674-760X. Acessado em: [Data do acesso]. Disponível em: [Link do artigo].

Gostou do texto? Compartilhe com seus amigos:



Artigos Relacionados

Sustentabilidade

Acordo Mercosul-União Europeia salvará a Amazônia brasileira?

Agricultura

5 fatos que talvez não te contaram sobre as queimadas na Amazônia

Sustentabilidade

Amazônia: por que se preocupar com os números das queimadas em junho?

Saúde

Queimadas no Pantanal são novo fator de risco à saúde da população

Clima e energia

Secas extremas repetidas podem reduzir sequestro de carbono na Amazônia

Pesquisa

Como é gerada a imagem de NDVI para todo o Brasil?

Inscreva-se

Deixe aqui seu e-mail e receba nossas atualizações.


×

Este site utiliza cookies. Ao fechar este aviso, você concorda. Saiba mais.